Canto das Tres Raças

Ninguém ouviu
Um soluçar de dor
No canto do Brasil

Um lamento triste
Sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro
E de lá cantou

Negro entoou
Um canto de revolta pelos ares
No Quilombo dos Palmares
Onde se refugiou

Fora a luta dos Inconfidentes
Pela quebra das correntes
Nada adiantou

E de guerra em paz
De paz em guerra
Todo o povo dessa terra
Quando pode cantar
Canta de dor

ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô

ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô

E ecoa noite e dia
É ensurdecedor
Ai, mas que agonia
O canto do trabalhador

Esse canto que devia
Ser um canto de alegria
Soa apenas
Como um soluçar de dor

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Bahiana

Ê baiana
Ê ê ê baiana, baianinha
Ê baiana
Ê ê ê baiana

Baiana boa
Gosta do samba
Gosta da roda
E diz que é bamba
Baiana boa
Gosta do samba
Gosta da roda
E diz que é bamba

Olha, toca a viola
Que ela quer sambar
Ela gosta de samba
Ela quer rebolar
Toca a viola
Que ela quer sambar
Ela gosta de samba
Ela quer rebolar

Ê baiana
Ê baiana
Ê ê ê baiana, baianinha
Ê baiana
Ê ê ê baiana

Conto de areia

É água no mar, é maré cheia ô
mareia ô, mareia
É água no mar…

Contam que toda tristeza
Que tem na Bahia
Nasceu de uns olhos morenos
Molhados de mar.

Não sei se é conto de areia
Ou se é fantasia
Que a luz da candeia alumia
Pra gente contar.

Um dia morena enfeitada
De rosas e rendas
Abriu seu sorriso moça
E pediu pra dançar.

A noite emprestou as estrelas
Bordadas de prata
E as águas de Amaralina
Eram gotas de luar.

Era um peito só
Cheio de promessa era só
Era um peito só cheio de promessa (2x)

Quem foi que mandou
O seu amor
Se fazer de canoeiro
O vento que rola das palmas
Arrasta o veleiro
E leva pro meio das águas
de Iemanjá
E o mestre valente vagueia
Olhando pra areia sem poder chegar
Adeus, amor

Adeus, meu amor
Não me espera
Porque eu já vou me embora
Pro reino que esconde os tesouros
De minha senhora

Desfia colares de conchas
Pra vida passar
E deixa de olhar pros veleiros
Adeus meu amor eu não vou mais voltar

Foi beira mar, foi beira mar que chamou
Foi beira mar ê, foi beira (2x)

Fuzuê

Berimbau batia
Cabaça gemia
Moeda corria
Eu queria pular…
Ah! Ah!
…Eu queria pular…
Ah! Ah!

Escrevi meu nome num fio de arame
E quem quer que me chame
Vai ter que gritar

Eh Camará, Eh Camará

Eh fuzuê
Parede de barro
Não vai me prender (4x)

Maria Macamba perdeu a caçamba
No cateretê
Sambou noite e dia
Que até parecia que ia morrer

Nasceu no quilombo
Aprendeu levar tombo
No canjerê

Foi de cesta no lombo
Com água e pitombo
Trocar por dendê, fuzuê

Eh fuzuê
Parede de barro
Não vai me prender (4x)

Tinha um pé de coqueiro
Cobrindo o terreiro
De onde eu nasci

Eu vi que o coco era oco
E valia tão pouco
Para se subir

Mas eu com um taco de toco
Batia no coco
Pro coco cair

E pegava no coco
Quebrava num soco
Sem repetir, fuzuê

Eh fuzuê
Parede de barro
Não vai me prender (4x)