Onde vai Caimã

Onde vai caimã, caimã, caimã
Onde vai caimã
Vou pra ilha de maré
Onde vai caimã
Vou jogar capoeira
Onde vai caimã
Vou batê logo com pé
Onde vai caimã
caimã caimã
Onde vai caimã
la na ilha
Onde vai caimã
pra na ilha de maré
Onde vai caimã
Vou jogar com muito axé
Onde vai caimã, caimã, caimã
Onde vai caimã
Vou pra ilha de maré
Onde vai caimã
Vou jogar capoeira
Onde vai caimã
Vou batê logo com pé
Onde vai caimã, caimã, caimã
Onde vai caimã
Vou pra ilha de maré
Onde vai caimã
Vou jogar capoeira
Onde vai caimã
Eu vou lá na mare
Onde vai caimã
Capoeira de angola
Onde vai caimã
É cabeçada, é mão, é pé
Onde vai caimã
Eu vou mostrar como é que é
Onde vai caimã
Capoeira o que é
Onde vai caimã

Jogando

Ô moleque onde é que tú tava
Já faz tanto tempo que eu tô te chamando
Ô mainha eu já tava vindo
Eu tava na Ribeira jogando
Eu tava na Ribeira
Jogando
No pé de ladeira
Jogando
Na roda da feira
Jogando
Tava na capoeira
Jogando

Pula pra cá pula pra lá

Capoeira antigamente
Tinha que movimentar
Que era pra enganar a gente
Que era pra negaciar

Agora tá diferente
Capoeira tá parado, oi iá iá
Joga no mesmo lugar
Oi Pula pra cá, pula pra lá, vai

Capoeira parado não dá
Olha ginga menina, olha sai do lugar
Capoeira parado não dá
Olha pula no alto, salto mortal
Capoeira parado não dá
Olha ginga menina, sai do lugar
Capoeira parado não dá

Oi não se vê mais negativa
Onde è que anda a rasteira
Nunca vi mais meia lua
Inventaram a tal ponteira

não se ve mais um cabra leve
Brincando na bananeira
Isso me deixa confuso
Serà que isso ai é Capoeira

Olha ginga menina, olha sai do lugar
Capoeira parado não dá
Olha pula pro alto, Dà salto mortal
Capoeira parado não dá
Oi se arrasta no chão, Que nem cobra coral
Capoeira parado não dá

Oi ninguém bate uma palma
Oi meu Deus, ninguém responde o refrão
Ninguém faz uma cantiga
Do fundo do coração

ninguem mais respeita o mestre
Que tem tanto prà ensinà
Isso me deixa confuso
Oi onde isso tudo vai parà

Olha bate uma palma, olha Vamo cantà
Capoeira parado não dá
Olha ginga menina, olha sai do lugar
Capoeira parado não dá
Olha pula pro alto, Dà salto mortal
Capoeira parado não dá
Oi là ginga prà là, Pula prá cá
Capoeira parado não dá

Oi onde é que anda a malicia
Onde é que anda a mandinga
Eu posso ver 100 Capoeira
Todos tem a mesma ginga

Pode ser que eu teje velho
As coisas tem que mudar
E’ mas parado com o punho fechado
Que que é meu irmão

Capoeira parado não dá
Olha ginga menina, olha sai do lugar
Capoeira parado não dá
Olha pula pro alto, Dà salto mortal
Capoeira parado não dá
Oi là ginga prà là, ginga prá cá
Capoeira parado não dá

E’ todo mundo de cara amarrada
Oi meu Deus todo mundo querendo brigar
Só na boca de espera
Mas sem saber esperar

A Capoeira era no corpo
Foi parar noutro lugar
E meu mestre sempre me disse
Ei Toni, Capoeira parado não dà

Olha ginga menina, olha sai do lugar
Capoeira parado não dá
Olha pula no alto, Dà salto mortal
Capoeira parado não dá
Oi se arrasta no chão, Que nem cobra coral
Capoeira parado não dá

Você que é dono da verdade

A Capoeira não tem apenas uma verdade.
Ela tem várias verdades,
e várias outras verdades
que se fazem a cada roda,
a cada toque do berimbau.
Por isso a Capoeira não pode ter um dono.
E muito menos um dono da verdade.
Nós temos que ter humildade
humildade pra deixar a Capoeira no levar
por esse mundo afora, pelos mistérios…

Você que é dono da verdade
Dono do certo e do errado
O seu caminho meu “compadi”
Ta cada vez mais apertado
Você quer sempre ter razão
Mas anda muito equivocado
Você defende a negritude
Mas age como um feitor
O orgulho vaza na atitude
É um discurso sem valor
Um pouco mais de humildade
Faria bem para o senhor
Olha essa sua prepotência
Esse seu ar superior
Pode levá-lo a decadência
Pode afastá-lo do axé
Sapato grande em pé pequeno
Acaba machucando o pé camarada

iê galo cantou…

Dor

Meu bisavô me falou iaia
Que no tempo da escravidão
Ooo Era dor muita dor tanta dor
Morriam de dor os negro meus irmãos
Dor, dor, dor
O sangue jorra no chicote do feitor
Dor, dor, dor
O negro morre de saudade sem amor
Dor, dor, dor
Ooo Dona isabel sua lei não adiantou
Dor, dor, dor
O negro morre de paris a salvador
Dor, dor, dor
O sangue jorra na caneta do doutor
Dor, dor, dor
Ooo A raça negra não nasceu para ter senhor
Dor, dor, dor
Minha alma é livre o berimbau me libertou
Dor, dor, dor
A raça negra não nasceu para ter senhor
Dor, dor, dor
Ooo A raça negra não nasceu para ter senhor
Dor, dor, dor
A raça negra não nasceu para ter senhor
Dor, dor, dor

Perguntei a Seu Pastinha

Uma vez, perguntei a Seu Pastinha
O que é a capoeira?
E ele, velho Mestre respeitado,
Ficou um tempo calado,
Revirando a sua alma
Depois respondeu com calma,
Em forma de ladainha:
A capoeira
É um jogo, é um brinquedo,
É se respeitar o medo,
É dosar bem a coragem
É uma luta,
É manha de mandingueiro,
É o vento no veleiro,
Um lamento na senzala

É um corpo arrepiado,
É um berimbau bem tocado,
Um riso de menininho
A capoeira
É o vôo de um passarinho,
O bote da cobra coral…
Sentir na boca
Todo o gosto do perigo,
É sorrir para o inimigo
E apertar a sua mão
É o grito de Zumbi
Ecoando no quilombo,
É se levantar do tombo
Antes de tocar no chão
É o ódio,
É a esperança que nasce,
Um tapa sutil (explodiu) na face
Que foi arder no coração
Enfim,
É aceitar o desafio
Com vontade de lutar
A capoeira
É um pequeno barquinho
Solto nas ondas do mar
iee..

Desapareceu no ar

A roda tava repleta
Todo mundo estava lá
Eu no gunga estava alerta
Pois meu Mestre ia jogar

E quando meu mestre joga
Meu coração joga também
Eu vou quando ele vai
E venho quando ele vem

Berimbau tava arretado
O clima tava perfeito
Tudo muito organizado
Tudo bem, tudo direito

Os movimentos do Mestre
Eram poemas no ar
Era um artista jogando
A arte de se jogar

De repente veio um raio
Sem aviso do trovão
Engasguei no berimbau
Traído pela emoção

Numa fração de segundos
Eu vi meu Mestre no chão
É que o olhar de aluno
É lento pra acompanhar

Meu Mestre tinha sumido
Desapareceu no ar
Reapareceu sorrindo
Que é do jeito que ele faz

Era um negro roubando
A alma do capataz
Esse momento jamais
Vai sair da minha memória

Eu vi meu Mestre assinando
O seu nome na história
Vi Peixinho transformado
A maldade em brincadeira

Muito mais do que jogando
Sendo a própria capoeira

Iee…